Resolvi seguir essa dica e falar de amamentação. Pois é, hoje é o último dia da Semana Internacional de Amamentação. A promoção da amamentação na primeira hora de vida é ótima pra mãe e pro(a) pequeno(a). E a gente sabe de todos os benefícios disso, né? Infelizmente, não fui amamentada. Como fiquei no hospital, disseram pra minha mãe usar leite especial e ela não questionou junto ao médico/enfermeira. Bom, lendo a Denise é que fui saber de outras coisas, como, por exemplo, que existe - e bastante! - discriminação e/ou constrangimento com amamentação em público em outros países (e "desenvolvidos"!). É um absurdo sem tamanho! Ah, falando nisso, um link pra informações sobre outro tema que acho fascinante e interessantíssimo é o Amigas do Parto. Sou 100% a favor das doulas e desse empoderamento feminino.
minhas cidades em cinemas Lendo um interessate post da Denise, fiquei pensando sobre os cinemas da minha cidade. Tenho algumas recordações de infância dos cinemas do centro, aqueles a preços bons em frente à Pça. da Alfândega, onde eu vi Branca de neve e afins. Às vezes, rolava um churros - no inverno - ou sorvete - no verão. Hoje, com as salas em shoppings, também acho que ficou tudo muito "arrumadinho". Mas considerem que não vivi a grande época dos cinemas de bairro, dos cinemas só pelo cinema, como descreve a Denise. Descobri que meu bairrozinho, numa cidade da grande Porto Alegre, já teve um cinema. Agora é igreja Universal, mas isso é outro assunto.
Pois bem, voltando aos shoppings, a tal cidade tem um cinema com (sério) 11 salas. Ótimo? Não, se você considerar que umas quatro delas estão passando o filme do momento, outras duas uma versão dublada de alguma comédia romântica americana e as outras, um filme da Xuxa. Quer ver filme bom é na Casa de Cultura - essa em P. Alegre -, que é onde passam filmes de outros países (a maioria atual, é verdade, Denise), brasileiros, alternativos e alguma coisa dos mais antigos quando tem algum festival, evento ou data comemorativa. Preço camarada mesmo. Foi onde eu vi Todas as manhãs do mundo(*), um dos meus filmes preferidos. E com o Gerard queridão, chorando e tudo. Isso não tem preço. ;) A propósito, a Cinemateca Paulo Amorim (exibidora dos filmes da casa) precisa sempre de apoio. Outro lugar legal é o santander cultural, também, geralmente, a preço interessante. Lá tem bastante festivais, mostras, curtas, etc. Ainda tem um cinema pseudo-cult carésimo chamado de unibanco qualquer coisa. De resto, salas multiplex em shoppings.
Aqui tem umas coisas bem legais, blogs sobre o tema "planeta sustentável". É da Abril (:P), mas é interessante, olha só: "O mais bacana é que eu ganhava um saquinho só para mim, com um punhado de laranjinhas kinkan. Segurando essa embalagem, eu voltava para casa feliz da vida por dois motivos: tinha ganhado as laranjinhas e papel para desenhar"
A Gix flor foi num seminário com o Prof. Hermógenes e de lá relata esta experiência. Olha só que lindo esse trabalho que eles fazem com os presos, que coisa maravilhosa. Fiquei comovida. E mais ainda por saber que tudo começou com um rapaz preso, que a iniciativa partiu dele. No blog tem até foto deles com o Prof. Hermógenes.
Se você é uma pessoa sensível, gosta de ver filmes bem interessantes - arte - e que te façam pensar... e se você gostou de Crash, então há boas chances de gostar de Ararat (mais aqui). Com uma linguagem mais próxima do poético (nisso ele é bem diferente de Crash), Ararat toca nas mesmas questões, ou feridas, do que eu achei ser seu "primo" americano. O ritmo também é mais lento que Crash, mas nem por isso menos intenso e em alguns momentos perturbador. É o tipo de filme que vc tem que sentar e assistir, se possível sem comerciais no meio. Aí pela internet, um menino disse que não sabe como o diretor conseguiu colocar tantas histórias diferentes (grifei) em um só filme. Mas aí é que está! As histórias que se sobrepõem não são diferentes, mas falam da mesma coisa... de como o ser humano lida com o outro, no próprio outro, mas também com o outro nele mesmo, e no que lhe foi passado através das versões de sua história. (foto de uma das cenas mais marcantes)
Fazendo uma pesquisa no orkut, noto que a maioria que gostou de Ararat gostou de Amélie Poulain, alguns de Matrix, Les triplettes de Belleville, O jardineiro fiel (tudo a ver), Diários de motocicleta.
Coisas que fiz ou estou fazendo e vc nunca pediu para saber:
+ Festival Bach, imperdível! Nunca vi aquele espaço tão lotado. Levei meu primo de 20 anos para seu primeiro concerto. Ele adorou. E eu com medo que ele batesse palmas entre um movimento e outro - me fizesse pagar um mico - mas felizmente ele foi cauteloso. Ah! Há tempos que não ia num concerto onde nenhum celular tocou! :) Ou até tocou mas o espaço lá é grande.
+ li uma das coisas mais preconceituosas, pelo menos a respeito do assunto "tatuagem". Só não tão preconceituosa quanto isto aqui (não é sobre tatuagem). Como falta, às vezes, sensibilidade nas pessoas... para serem abertas a novas idéias, para serem, no mínimo, receptivas com pessoas com as quais convivem e que têm opiniões diferentes. E argumentos exdrúxulos existem aos montes por aí. Quer discutir? Discussão é sempre muito bom. Mas com argumentos interessantes. Ou, como diz o Júlio, "grande bosta se vc não gosta" <- pode ser aplicado quando a discussão vira só opinião. Quero deixar bem claro que também tenho preconceitos, infelizmente. Pensei de cara quando li o artigo: "tinha que ser militar!".
+ estou lendo "O germinal". Ótimo. Estava na minha lista de leituras futuras há anos.
Sabe como é você ter boas expectativas e ser surpreendido... positivamente? Pois é, aconteceu comigo quando assisti Entre quatro paredes (original: Huis clos). Foi simplesmente maravilhoso, tocante, muito bom mesmo. Fora o fato de o texto ser excelente, denso e extremamente interessante (e olha que tenho um ranço com o ranço de Sartre, hehehe), os atores eram ótimos! E a cenografia idem. A peça é sobre três estranhos, numa espécie de inferno, que têm de dividir o mesmo "quarto". O desafio é suportar-se mutuamente: eles vão aos limites. Bom, o que também me chamou a atenção foi a boa preparação vocal dos atores, especialmente da Carolina (a que não está na foto), cujas boas condições da voz se destacam - eles têm q se fazer ouvir de dentro de paredeses de vidro com mínimas fendas e uma boa projeção sem ficar feia e artificial (o famoso "ganhar no grito") é difícil para quem não está acostumado a trabalhar a voz. Assistiria de novo, mas não está mais passando. É uma pena. Mandei até email pros atores.
i like you. i like sex Vi Borat! Com exceção de algumas poucas piadinhas meio bestas, é muito bom e engraçado! Primeiro: o cara é simplesmente fantástico. O que ele faz com o filme é uma crítica à sociedade americana, que é ao mesmo tempo hipócrita e moralista. Então, um prato cheio para a comédia do Borat. O filme não é nada politicamente correto e passa longe dessa onda "politicamente correta" dos U. S. and A. E brinca também com essa "síndrome arrogante" que eles têm.
Imperdíveis as cenas do jantar com novos amigos americanos, a cena da igreja e, é claro, o encontro com a Pamela Anderson.
Na sessão onde eu estava teve gente que se incomodou com aquela coisa dos bonecos logo no início... aqui tem bastante judeu e eu entendo. Mas depois duas mulheres saíram bem brabas... condição da mulher e coisa e tal. Como se na nossa sociedade gaúcha não houvesse preconceito e uma grande repressão à mulher - vide regras machistas de CTGs e opiniões gaudérias por aí -. E, sinceramente, não é só no Rio Grande do Sul, há um contexto nacional e global de discriminação e violência. Está tudo tão entranhado que a gente não enxerga, só estranha se alguém expressa de maneira aberta. Então parece que é só no Cazaquistão que isso acontece.
Fica difícil perceber quando a gente tapa os olhos e diz que vivemos em um país livre e acha que agimos contra o machismo elegendo uma governadora. Aí elas vêem Borat e simplesmente se escandalizam com a "condição da mulher", "tratamento da mulher", as distintas senhoras, e saem brabas. Que vão se alienar com Nova e Veja!
-> em um concerto ou recital de inauguração de uma sala cultural, duas personagens chegam mais tarde e, ao invés de aguardarem quietinhas o término daquele movimento ou música para depois procurarem lugar, saem andando no meio da platéia e sentam (inesperadamente havia dois lugares vazios com um monte de gente em pé!!!). Como se não bastasse isso - numa ocasião dessas, se não chegou logo no começo, aguarde -, elas começam a conversar logo que sentam. Não, peraí, demonstração de má-educação horrível em um concerto fazer isso. E parece que uma delas ou as duas são filhas ou alguma coisa assim do presidente do tal centro cultural. Além delas, outras pessoas também conversam, comentando sobre o concerto ou qq coisa de suas vidas... ê etiqueta.
-> a maneira ridícula como eles se referem à cultura ou ao mercado cultural no Brasil. Ex.: Claro, vamos fazer essa exposição, passa lá e a gente acerta os detalhes (simples assim!) e já vão abrindo aula de tudo quanto é coisa (ótimo, mas...), tudo lotadaço. E têm bastante dinheiro, tudo se faz, exposições enormes, tudo vem, é só conferir. O mundo lá é outro, é só o que dá pra perceber. Com um mínimo de contato com esse meio, qualquer um já veria que não é bem assim. Tudo bem, a maioria das pessoas não sabem que existem instituições fazendo cultura e que estão bastante dedicadas a isso - e não estou falando das inst. privadas -, mas, mesmo assim, é muito diferente.
-> o que era aquele músico (ele ainda aparece?), que ficou o dia inteiro em casa, fez a maior bagunça e fica lá, só de cueca em cima da cama tocando saxofone. Considerando que o cara é músico saxofonista, qual é o músico profissional que ficaria à toa, quase peladão, curtindo seu instrumento (sem trocadilho)? Gente, isso é uma coisa hipotética, o cara poderia fazer isso uma vez na vida outra na morte... E essa coisa de mostrar que "todo músico é bagunceiro"? Ter a cabeça na Lua é folclore, pode ter um pouquinho, mas não ser tão pateta. Não é assim que funciona. A maioria dos músicos que eu conheço são bem disciplinados, muito disciplinados, estudam muito.
-> e esses empregados que Natal estão ali, Carnaval estão ali, Ano novo passam com os patrões, quê isso! Parece que o autor nem se dá conta... parece que estão ali pra servir porque querem ficar perto dos patrões. Reparo nisso na novela e acho um tanto "burguês" demais.
-> a mulher sai por aí com um revólver na mão pq afinal "ela foi traída" - e o empregado ainda tem que levar, "fala sério"! - ameaça a vida alheia e as irmãs? Passam a mão na cabeça dela, afinal, ela foi traída. Credo! Enquanto isso, outra puxa estilete, joga o carro pra cima de quem a traiu. E isso que ela era uma pessoal normal, exceto por algumas atitudes de mimada, mas normal. Ela perdeu o amor dela, o único motivo de viver, então o que vai fazer da vida, afinal? São reações normais, imagina! Êta machismo!
-> mas o que é mais ridículo, sem dúvida, é que o texto parece querer ter algo de Nelson Rodrigues. E muito, muito, mal feito! Ouvi alguém também falar sobre isso, mas não me lembro quem..
(mais aqui)
Losing individuality "Some people are so afraid of losing their individuality. Wouldn't it be better for the pig to lose his pig-individuality if he can become God? Yes. But the poor pig does not think so at the time. Which state is my individuality? When I was a baby sprawling on the floor trying to swallow my thumb? Was that the individuality I should be sorry to lose? Fifty years hence I shall look upon this present state and laugh, just as I now look upon the baby state. Which of these individualities shall I keep?" ~ Swami Vivekananda
Complete Works, 2:467
- grifo meu